Ed Kemper - O Serial Killer que precisou colaborar com a polícia para ser preso
- ygoralexandrosam
- 13 de jan. de 2025
- 6 min de leitura

Existe um mito de que todos os assassinos em série são pessoas dotadas de uma altíssima inteligência, que conseguem encobrir seus rastros e que, graças ao seu elevadíssimo Q.I, são capazes de enganar as autoridades e até mesmo manipulá-las e assim, garantir a impunidade de seus crimes.
De fato, é um mito dizer que todos os Serial Killers são pessoas assim. Na verdade, eles são, como a maior parte da população, possuidores uma inteligência mediana.
No entanto, alguns deles são dotados de um nível de inteligência muito acima do normal e o caso mais notório é do homicida em série, Edmund Emil Kemper III, também conhecido com Ed Kemper.
Ed é um homem de 2.10m de altura, com uma força descomunal e um Q.I de 145, o que o torna super dotado. Na escala do quociente de inteligência, ele é considerado uma pessoa de nível gênio.
Agora pegue esses ingredientes, misture com com uma esquizofrenia paranóica, com uma infância marcada por abusos psicológicos da própria mãe que o trancafiou no porão de casa, bullying das crianças de sua idade e fantasias sexuais violentas. O produto obtido só poderia ser um assassino em série cruel, sádico, extremamente cuidadoso para não deixar pistas de seus crimes e capaz de manipular seus psiquiatras e até se tornar amigo dos policiais que investigavam seus crimes. Bom, esse era Ed Kemper.
O assassino começou cedo a sua trilha de sangue: matou seus avós aos 15 anos. Por esse delito, ficou internado em um hospital psiquiátrico até os 21, quando recebeu alta dos psiquiatras graças ao seu comportamento exemplar.
É mister destacar que a sua estada no hospital psiquiátrico foi um fator determinante para a ampliação de seus devaneios de depravação sexual e morte. Mais do que isso, ouvindo as histórias de outros pacientes que haviam cometido estupros e homicídios, aprendeu quais foram seus erros, o que permitiu que as autoridades conseguissem capturá-los e, a partir desses relatos, tratou de estabelecer quais cuidados deveria adotar para garantir a sua impunidade.
Ed, após receber alta do hospital, passou a nutrir um enorme desejo de se tornar um policial. Todavia, o seu enorme tamanho foi um impedimento para suas aspirações.
Apesar disso, o homicida era absolutamente fissurado pela figura de autoridade que um oficial da lei transmite, de modo que graças a essa sua admiração - auxiliada por suas capacidades únicas de manipulação - se tornou amigo de boa parte do corpo policial de Santa Cruz, Califórnia.
Tinha pós-graduação em fazer as pessoas confiarem nele e as levava em segurança a seu destino enquanto aprendia a melhorar seus métodos de persuasão. Ao chegar à casa, fantasiava como seria mantê-las cativas sem ser descoberto. Devagar, foi planejando como realizaria suas fantasias sexuais. (CASOY, Ilana, 2017, p. 225)
Não tardou para que cometesse seu primeiro homicídio, em 07 de maio de 1972. Outros sete crimes, todos de jovens mulheres, seguiram após esse, incluindo o da própria mãe.
Ed Kemper fazia questão, sempre que possível, de dissecar os corpos de suas vítimas e tinha um fascínio especial com suas cabeças. Contudo, “simplesmente” matar não era o bastante para Ed. Ele precisava liberar todos desejos presentes em seu íntimo, que incluíam a prática de canibalismo e necrofilia.
Em janeiro de 1973, Ed já havia matado quatro jovens mulheres. Valendo-se de sua enorme capacidade física, assassinava mediante estrangulamentos, facadas e até tiros. Quando utilizava de armas de fogo, ele era cuidadoso ao ponto de fazer questão de remover até mesmo a bala do crânio de suas vítimas.
Ao passo que cometia essas atrocidades, sempre zelando ao máximo por não deixar pistas de quem era o assassino, Ed se divertia ouvindo os debates entre os seus amigos policiais.
Para a polícia, ele não era considerado suspeito, na verdade, as autoridades sequer haviam encontrado qualquer suspeito ou traçado uma ligação entre as vítimas. Naquela altura, eles ainda não imaginavam que todas as mortes eram provenientes dos atos de um mesmo assassino, ao revés, pensavam que eram casos isolados.
Essa era a sua principal diversão, além, claro, de ir em sua consulta rotineira com o psiquiatra carregando consigo a cabeça de suas vítimas:
Um dos dias que Ed mais se divertiu foi quando foi à consulta com seu psiquiatra levando as cabeças das vítimas no porta-malas de seu carro. Adorava testar sua habilidade em fazê-lo acreditar que tudo estava bem, uma vez que tinha aprendido a se comportar como uma pessoa “normal”. Ao longo de tantos tratamentos, sabia o que os profissionais de saúde mental esperavam que dissesse e descrevia seu dia a dia exatamente como eles queriam ouvir. (CASOY, Ilana, 2017, p. 228)
É claro que, inevitavelmente, a sua escalada de crimes chegaria ao ápice. O momento sublime em que Ed tanto havia esperado, desde sua infância e de suas primeiras brigas com a mãe, em que ouvia gritos e sofria severos castigos. Era um instinto irrefreável para o assassino. Ele finalmente, em um rápido movimento, decapitou a própria mãe enquanto ela dormia e, logo após, estuprou repetidas vezes o corpo de sua genitora - sem a cabeça.
Apesar disso, Ed ainda ouvia, dentro de sua cabeça, sua mãe gritando com ele. Esses gritos o remetiam à infância perturbada, em que a mãe o amedrontava. O assassino precisava fazer os gritos da sua mãe, já morta, pararem. Para isso, arrancou a língua da cabeça de sua genitora e cortou suas cordas vocais.
Finalmente os gritos dela haviam cessado dentro da mente atormentada do Serial Killer.
Após, fez questão de realizar um longo monólogo, expondo toda sua raiva e desejos ocultos para a cabeça da mãe, que jazia em cima de uma prateleira do móvel do quarto. Em seguida, achou interessante jogar dardos utilizando como alvo a cabeça decapitada daquela mulher que lhe deu à luz.
Diante do cenário, com o corpo de sua mãe decapitado e violentado sexualmente em seu quarto, Ed Kemper decidiu que a melhor escolha era fugir para o mais longe possível do local do crime.
Enquanto fugia, Ed acompanhava os noticiários. Não via a hora de ouvir seu nome como o principal suspeito. Ele se tornaria famoso por ter assassinado oito mulheres, incluindo sua própria mãe! Entretanto, suas expectativas foram quebradas, já que não foi isso que aconteceu.
Na verdade, em momento algum a polícia dava indicativos de que ele era um suspeito. A polícia sequer tinha ideia de quem havia cometido tantas barbáries ou por onde começar a procurar o assassino. Isso era pior do que a morte ou a prisão para Ed.
Para Ed, era necessário ser reconhecido! Mais do que isso, era essencial para ele que todos soubessem que era ele o responsável por tudo isso, graças a sua extraordinária inteligência!
Ora, qual seria a graça de praticar tantos crimes cruéis, sádicos se os créditos sequer lhe fossem dados? Ou pior, imagine se outra pessoa fosse tratada como o assassino em seu lugar e os “louros” dos homicídios fossem dados para um completo estranho? Ed precisava auxiliar a polícia para que fosse possível prendê-lo!
As autoridades, com sua incompetência, eram incapazes de identificá-lo como o responsável por aqueles homicídios macabros! E diante de tamanha incapacidade, corria-se o risco de que Ed não fosse preso e, consequentemente, não ser reconhecido como deveria. Como dito, isso estava completamente fora de cogitação para o assassino em série.
Diante desse insustentável panorama para a brilhante, mas paranóica, instável e psicótica mente do Serial Killer, Ed, fez o impensável para qualquer criminoso: ligou para a polícia e confessou seus crimes.
Só que as coisas não seriam assim tão fáceis para que Ed se tornasse famoso. A polícia, a princípio, não acreditou nele.
Seria necessário dar mais telefonemas, insistir que era ele o criminoso que estavam procurando e até revelar detalhes dos crimes que somente o assassino poderia saber. Foi um trabalho árduo que Ed precisou realizar junto da polícia para que eles acreditassem em sua confissão.
Após finalmente convencer as autoridades de que ele era o responsável, informou onde estava e aguardou, pacientemente, pela sua prisão. Enfim, o reconhecimento por seus notórios crimes viria!
Edmund Emil Kemper III foi condenado à prisão perpétua por oito homicídios, incluindo o de sua própria mãe. Hoje ele está com 73 anos e continua cumprindo sua pena na Califórnia, em um hospital psiquiátrico.
Ed Kemper é o protótipo fidedigno do assassino em série que os filmes retratam. Mais do que isso, ele se tornou, tal qual ocorre nos crimes, aquele criminoso que colabora com a polícia para que outros criminosos da mesma espécie sejam capturados.
Graças a ele, perfis de assassinos em série foram substancialmente melhorados, métodos investigativos aprimorados e estudos criminológicos vistos de outra forma.
Se não fosse o desejo de Ed ser reconhecido por seus crimes, levando-o a chamar a polícia - e insistir de que era o assassino -, dificilmente ele seria capturado e condenado.
Olhando para Ed, percebemos como a combinação de uma mente insana com um elevadíssimo grau de inteligência é capaz de severos atos contra a sociedade. Não seria essa a primeira vez e, definitivamente, não foi a última.





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