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Andrei Chikatilo - O Estripador da Floresta

  • ygoralexandrosam
  • 13 de jan. de 2025
  • 4 min de leitura


Quando eu morrer, quero que meu cérebro seja desmontado pedaço por pedaço, e examinado, de maneira que não haja outros como eu. (Andrei Romanovich Chikatilo)

Dentre todos os casos mais famosos envolvendo assassinos em série, este é, sem dúvidas, o que eu mais li e estudei a respeito.


Os fatores para isso são inúmeros: a ineficácia latente das autoridades policiais que conseguiram permitir que um assassino já identificado ficasse à solta por quase 13 anos, o elevado número de vítimas, 53, e o modus operandi brutal.


Esse foi o primeiro caso que me fez ter contato com o tema “Assassinos em Série”, quando tinha apenas 11 anos. Lembro de ler naqueles antigos blogs de internet e ficar apavorado com tantas atrocidades. Cheguei a pensar que era tudo mentira, pois era maldade demais para uma pessoa cometer.


Isto posto, vamos a um breve resumo do caso de Andrei Romanovich Chikatilo, conhecido como o Açougueiro de Rostov ou Estripador da Floresta.


O Estripador da Floresta


Chikatilo nasceu na Ucrânia, em 1936 e nunca foi uma criança “normal”. Sua mãe o amedrontou com histórias que envolviam um suposto irmão mais velho que, durante a grande crise de fome dos anos 30, o famigerado “Holodomor”, teria sido capturado por vizinhos e comido vivo. Além disso, durante a 2ª Guerra Mundial, seu pai foi feito prisioneiro pelos exércitos do Eixo, o que obrigou que sua mãe o criasse praticamente sozinha.

Todavia, nenhum desses fatores foi mais crucial para abalá-lo psicologicamente do que o seu distúrbio sexual: Andrei era impotente.


A perturbação decorrente de sua impotência era tão latente que durante seu julgamento, Chikatilo abaixou as calças perante todos os presentes, ficou completamente nu, e disse:


Olhe para essa coisa inútil! O que você pensa que eu poderia fazer com isso?!

Mas antes dessa face teratológica de Andrei vir à tona, ele parecia ser somente mais um cidadão respeitável, membro do Partido Comunista, com uma boa família, casado e com filhos. Entretanto, essa era apenas a sua fachada de cidadão “acima de qualquer suspeita”.


Andrei fez a sua primeira vítima em 1978. Uma menina de apenas 09 anos. Sua vítima foi atacada e morta com uma barbaridade extrema, esfaqueando-a, principalmente, em sua genitália.


À época do fato, uma testemunha chegou a contribuir com a polícia com um retrato falado de um senhor que foi visto acompanhando a garotinha no dia de seu desaparecimento. O retrato falado apontava, com fiel semelhança, à figura de Chikatilo. Além disso, nos arredores do local onde o corpo da menina havia sido encontrado, havia um velho barracão, com luzes acesas e com os degraus da frente cobertos de sangue. Esse barracão pertencia a Andrei.


Diante dessas evidências, Chikatilo foi chamado para depor e logo foi liberado. Em seu lugar, outra pessoa foi presa e condenada à morte. Esse seria apenas um dos episódios de incompetência policial na condução das investigações.


A partir disso, Andrei passou a construir a sua pilha de corpos, que chegaria a 53 vítimas, a maioria crianças.


O modus operandi de Chikatilo era simples e metódico: Perambulava por estações de trem onde atraía suas vítimas, a maioria crianças ou mulheres jovens, para os bosques das redondezas. Os seus cabelos brancos, aliado a sua aparência erudita facilitava o “trabalho” de convencimento de suas vítimas.


Uma vez no bosque com sua vítima, isolados de tudo e fora do alcance dos olhos e ouvidos de qualquer testemunha, Andrei demonstrava a sua faceta mais monstruosa e feroz, um verdadeiro “lobo enlouquecido”.


Amarrava suas vítimas com rapidez, golpeava-as, prendendo-as contra o chão, e imediatamente arrancava a língua com mordidas, para evitar que gritassem. Na sequência, as violava e mutilava. A primeira mutilação que as submetia era a dos olhos: ele os arrancava com a faca, de modo que não pudesse ser observado em sua performance sexual. [...] Depois de satisfeito, desmembrava-as ainda vivas, infligindo nelas entre quarenta e quarenta e cinco feridas profundas. Muitas vezes arranca o órgão sexual das vítimas usando como arma a própria boca. Outras vezes, enchia a barriga delas com terra e depois as trinchava. Fervia e comia os testículos e mamilo arrancados; arrancava nariz e dedos. Muitas das crianças que matou foram mutiladas ainda vivas.

Durante as investigações, Andrei novamente foi interrogado pela polícia, em 1984. Em sua maleta foram encontrados uma corda e uma faca. Apesar disso, Andrei foi novamente liberado.


Diante da impunidade, Chikatilo continuou matando ao longo dos anos de 1985, 1986, 1987, 1988 e 1989. A pilha de corpos crescia, com o Serial Killer aumentando exponencialmente o número de vítimas a cada ano.


Com mais cadáveres a cada ano, a polícia precisou tomar medidas enérgicas para frear o Assassino em Série, com megaoperações em estações de trem, contando com policiais à paisana vigiando todos os passageiros. Ademais, até mesmo policiais femininas foram colocadas como “potenciais vítimas"na tentativa de atrair o homicida.


Finalmente, em 1990, após abordar um garoto, Chikatilo foi interpelado por três policiais. Em sua pasta foram novamente encontradas uma corda e uma faca. Buscas em sua residência encontraram outras 23 facas.


Apesar de tudo, as evidências eram somente circunstanciais. Não havia nenhuma prova que ligasse diretamente Andrei aos homicídios, até porque abordar pessoas e colecionar facas, não é um crime.


Era necessário uma confissão. Contudo, Andrei, mantinha-se impassível, mesmo após 9 dias de interrogatório. No dia seguinte, o assassino deveria ser libertado.


Eis que como medida emergencial foi chamado o psiquiatra Alexandr Bukhanovsky, que em 1986 havia traçado o perfil criminal do Estripador da Floresta para a polícia. O psiquiatra utilizou-se do perfil que havia traçado quatro antes para trabalhar a verdade com Andrei e obter a sua confissão.


Escutando sua vida de forma tão minuciosa e precisa, Chikatilo começa a tremer. Aquele homem parecia a única pessoa na face da Terra que o entendia. E é aí que, finalmente, Andrei Romanovich Chikatilo, 54 anos, confessa a verdade. Ele era o Estripador da Floresta. Um dos mais sádicos assassinos do século 20, finalmente, confessava os seus crimes.

O reinado de terror e sangue de Chikatilo durou até o final de 1990. Durante seu julgamento, “o lobo enlouquecido”, foi mantido em uma jaula de ferro, para evitar que os familiares da vítima o matassem ali mesmo, no Tribunal.


Andrei Romanovich Chikatilo confessou 53 homicídios, sendo condenado, à pena de morte, por 52 deles.

A sentença foi executada em 14 de fevereiro de 1994, com um tiro de fuzil em sua nuca. Chegava ao fim a trajetória de um dos Seriais Killers mais atrozes de toda a história.


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